Portugal tem até 12 de novembro para submeter a candidatura de Sines à rede de gigafábricas de inteligência artificial planeada pela União Europeia. O interesse externo existe: segundo a liderança da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, a escassez severa de capacidade de computação na Europa joga a favor do país, onde o custo da energia é mais competitivo do que no centro do continente. Contudo, os investidores alemães colocam a morosidade administrativa no topo dos riscos.
A Europa enfrenta um défice estrutural de centros de dados de grande escala dedicados a modelos avançados, e a indústria alemã procura capacidade de processamento fora de portas para alimentar operações que a infraestrutura interna não suporta ao custo atual. A combinação de energia renovável mais barata com espaço físico em Sines responde diretamente a esse estrangulamento geográfico e económico.
O obstáculo já não é a atratividade do ativo, mas o calendário. A corrida aos fundos e ao estatuto europeu de gigafactory não perdoa atrasos de licenciamento: para investidores industriais habituados a prazos rígidos de capitalização, a previsibilidade dos processos conta tanto como o preço por megawatt-hora.
Se o consórcio nacional conseguir fixar um processo de decisão sem atritos burocráticos até novembro, Portugal deixa de ser visto apenas como um ponto de amarração de cabos submarinos e passa a integrar a cadeia de abastecimento de computação crítica do maior tecido industrial da Europa.

