A Fundação Champalimaud, em Lisboa, acolheu a segunda edição da conferência Fusion, dedicada ao impacto da inteligência artificial nas organizações e no mercado de trabalho. O encontro destacou a passagem dos testes laboratoriais para a integração de sistemas autónomos em setores de elevada exigência operacional, designadamente na saúde privada, nos centros de serviços partilhados e na gestão de infraestruturas.
A mudança de foco nestes três setores altera a natureza dos projetos. Ao contrário de ferramentas isoladas de produtividade de escritório, sistemas autónomos aplicados a triagem clínica, automação de processos partilhados e manutenção de infraestruturas interagem diretamente com continuidade de negócio, conformidade regulatória e tolerância quase nula a falhas.
Quando a tecnologia passa a tocar o núcleo dos serviços essenciais, o critério de sucesso deixa de ser a velocidade de adoção do modelo mais recente. A pressão recai sobre a capacidade das equipas técnicas e jurídicas auditarem decisões automatizadas e manterem redundâncias funcionais quando o sistema falha.

