A adoção de agentes de IA a nível empresarial está a crescer rapidamente, mas um fosso preocupante emerge entre a ambição e a execução. Embora 85% das organizações declarem querer ser “agentic” nos próximos três anos, 76% admitem que as suas operações e infraestruturas atuais não suportam esta mudança. A falta de preparação abrange pessoas, processos e fluxos de trabalho.
Este dado não é apenas mais uma estatística sobre a adoção tecnológica; é um sinal de que estamos a desenhar o futuro com um pé no acelerador e outro no travão. As empresas portuguesas, muitas vezes mais cautelosas na adoção de novas tecnologias e com estruturas mais rígidas, arriscam ficar presas nesta dicotomia. A conversa sobre inteligência artificial tem-se focado excessivamente nas capacidades dos modelos e pouco na reengenharia fundamental que estes exigem. Não se trata de comprar mais software, mas de reavaliar a forma como o trabalho é feito, quem o faz e com que ferramentas.
A verdadeira barreira não é tecnológica, mas organizacional. É uma questão de maturidade e de vontade para desmantelar e reconstruir. Falar em “agentes de IA” sem endereçar a rigidez dos processos internos, a resistência à mudança das equipas ou a inadequação das infraestruturas legadas é como planear uma viagem de alta velocidade sem ter um carro que saia do lugar. O resultado será um investimento avultado em tecnologia subaproveitada, gerando frustração e ceticismo, e o adiamento de uma transformação que pode ser determinante para a competitividade.

