Dois terços dos profissionais do setor segurador já utilizam ferramentas de inteligência artificial no trabalho diário, mas apenas 22% das seguradoras dispõem de capacidade técnica e estrutural para colocar essas soluções em produção. Os dados constam do relatório NTT DATA Insurtech Global Outlook 2026, divulgado pelo Jornal Económico, que aponta a prevenção de sinistros e a avaliação automática de risco como os eixos centrais da transformação em curso, combinando sistemas autónomos com equipas especializadas.
A assimetria entre a adesão individual e a maturidade dos sistemas revela que a barreira no setor não está no interesse dos trabalhadores, mas na infraestrutura que suporta o negócio. Usar modelos generativos em tarefas isoladas é acessível a qualquer equipa; integrar agentes de IA na subscrição de apólices, na liquidação de sinistros e nos sistemas centrais de risco exige qualidade de dados, governação estrita e conformidade regulatória contínua.
A transição do modelo reativo de indemnização para uma abordagem preditiva e preventiva altera o próprio equilíbrio económico das seguradoras. As instituições que se limitam a autorizar o uso avulso de ferramentas criam redundâncias e riscos operacionais sem ganhos de eficiência mensuráveis, enquanto as operações que reorganizam fluxos de trabalho e dados para suportar sistemas em produção redefinem a sua capacidade de tarifação e retenção.

