Gonçalo Regalado, presidente executivo do Banco Português de Fomento, defendeu que Portugal deve aproveitar a disponibilidade de energia e as suas infraestruturas digitais para captar investimento em inteligência artificial e apoiar a internacionalização das empresas. A intervenção na Alfândega do Porto foi noticiada pelo Jornal Económico e pelo Portugal Resident a 9 de outubro.

O responsável alertou para o atraso na adoção e apontou necessidades que ultrapassam a infraestrutura: talento, capacidade de gestão e financiamento. Este pacote mantém a data original. Não apresenta a intervenção como um anúncio novo de hoje.

## Da infraestrutura ao trabalho das empresas

Na leitura PTIA, existem dois desafios relacionados, mas diferentes. O primeiro é criar condições para receber investimento e capacidade tecnológica. O segundo é permitir que as empresas utilizem essa capacidade em serviços, produtos e operações.

Uma infraestrutura pode existir sem que uma PME consiga definir um projeto, preparar os seus dados ou disponibilizar uma equipa para o executar. O acesso à tecnologia resolve uma parte do problema. A capacidade de a usar exige trabalho organizacional.

Isso torna relevante a forma como se pensa o financiamento. Um projeto de IA pode incluir integração, formação, supervisão e adaptação do processo, além da ferramenta em si. O retorno precisa de ser observado no resultado que se pretende melhorar.

## O que acompanhar

Não basta contar investimentos anunciados ou licenças adquiridas para concluir que a transformação aconteceu.

As peças consultadas não sustentam atribuir a esta intervenção um novo programa com candidaturas abertas ou valores exclusivos para startups deep tech. O que está confirmado é o diagnóstico e a defesa de maior investimento na adoção de IA e na internacionalização.

Para a PTIA, a discussão interessa pela ligação entre os recursos do país e a capacidade concreta das empresas para criar valor.