A associação ambientalista proTEJO exigiu a fixação de limites legais vinculativos para o consumo de água e eletricidade nos centros de dados planeados para Abrantes. Em causa estão os projetos Hyperion e EDC One, para os quais a organização reclama uma avaliação de impacto ambiental cumulativa, estimando consumos conjuntos entre 3,6 e 22,2 milhões de litros de água por dia e cerca de 4.380 GWh de eletricidade por ano.
A exigência da associação expõe o choque inevitável entre a ambição de fixar infraestrutura crítica de computação e a capacidade de suporte dos recursos locais. O erro frequente neste tipo de licenciamento é avaliar cada instalação em silo, ignorando a pressão combinada sobre a mesma bacia hidrográfica e sobre os nós da rede elétrica nacional.
Para o setor tecnológico e para os promotores industriais, este atrito não deve ser encarado como um travão cego ao investimento, mas como uma definição antecipada de regras de jogo. Projetos desenhados com sistemas de arrefecimento em circuito fechado, reaproveitamento de efluentes tratados e contratos diretos de energia renovável com armazenamento local reduzem a exposição ao escrutínio público e blindam a operação contra futuros cortes operacionais por seca.
A atração de infraestrutura de inteligência artificial em Portugal só se sustenta se a métrica de eficiência for tratada como requisito de engenharia desde o primeiro dia, e não como contrapartida negociada à posteriori.

