Um estudo da consultora Copenhagen Economics estima que o setor dos centros de dados em Portugal possa gerar um contributo acumulado entre 6,1 e 26,2 mil milhões de euros para o PIB nacional entre 2025 e 2030. No mesmo intervalo, a atividade poderá sustentar entre 13 400 e 48 400 postos de trabalho diretos e indiretos por ano.
A amplitude das estimativas reflete a distância habitual entre projeções macroeconómicas e a realidade no terreno. Estes valores assumem um alinhamento favorável de licenciamento, reforço de redes elétricas e conectividade internacional, enquadrados no Plano Nacional de Centros de Dados delineado pelo Governo.
A oportunidade técnica existe, sobretudo pelo papel de Portugal nas amarrações de cabos submarinos e pela disponibilidade de energia renovável. Contudo, a capacidade instalada de computação só se traduz no teto superior das projeções se o país for capaz de fixar valor acima da camada básica de betão e servidores. A atração de capital de hiperescala exige estabilidade regulatória e celeridade nos pontos de injeção e consumo energético, áreas onde a resposta administrativa tem sido historicamente lenta.
Construir infraestrutura física é apenas o pré-requisito técnico. Sem agilidade administrativa no licenciamento e garantias firmes de capacidade na rede de transporte de energia, a projeção fica retida no limiar mais baixo do modelo económico.

