A capacidade de Portugal para aproveitar a inteligência artificial passa pela mudança dos processos de trabalho, defende Andres Ortolá num texto publicado a 21 de outubro pelo Jornal de Negócios. O antigo general manager da Microsoft Portugal destaca a literacia, a organização e a avaliação dos resultados.

Trata-se de uma perspetiva sobre a transformação das empresas. Não é um anúncio de novas regras nem um novo levantamento estatístico sobre a economia portuguesa.

## As condições para executar

Uma reportagem da SIC Notícias de 19 de outubro ajuda a enquadrar o debate: a partir de um estudo encomendado pela Amazon à Strand Partners, identifica falta de profissionais qualificados, complexidade regulatória e acesso a financiamento entre os entraves à adoção. O estudo já foi referido pela PTIA. As respostas recolhidas não equivalem a uma medição independente do efeito da IA na produtividade de todas as empresas.

O novo interesse editorial está na capacidade de transformar uma utilização individual numa prática de trabalho que a organização consegue acompanhar. Para uma PME, isso pode envolver tempo de formação, preparação da informação e definição de responsabilidades.

## Avaliar antes de alargar

Na leitura PTIA, um primeiro projeto beneficia de uma tarefa delimitada e de uma comparação concreta com a situação anterior. Um prazo mais curto só será uma melhoria útil se a qualidade e o esforço de revisão também forem observados.

Este critério não garante retorno nem implica que todas as empresas devam automatizar os mesmos processos. Ajuda a decidir com base no trabalho realizado. O acesso à ferramenta abre uma possibilidade; a formação e a capacidade de gestão ajudam a perceber onde vale a pena desenvolvê-la.