Investigadores do Departamento de Engenharia Informática do Instituto Superior Técnico (IST) identificaram a robótica e a IA física como caminhos estratégicos centrais para reforçar a soberania digital e cognitiva europeia. A posição mapeia as prioridades da academia nacional de engenharia no desenvolvimento de capacidades tecnológicas próprias no ecossistema global de inteligência artificial.

Ao focar o debate na IA física, a academia altera o eixo tradicional da discussão sobre autonomia tecnológica. A competição europeia em modelos de linguagem puramente virtuais e de grande escala enfrenta barreiras severas de capital e capacidade computacional face aos gigantes norte-americanos e chineses. Na robótica e nos sistemas autónomos imersos no mundo real, contudo, o valor constrói-se na convergência entre software de controlo, sensores e engenharia aplicada, áreas onde a Europa retém tecido industrial e competência técnica.

A soberania cognitiva deixa de ser tratada como a tentativa de replicar infraestruturas de computação genéricas para se fixar no controlo da operação no mundo material. Quando a inteligência artificial gere sistemas físicos, a independência depende da capacidade de desenhar a camada de hardware, o processamento em tempo real e os algoritmos de atuação local.

Esta prioridade da engenharia nacional traça um objetivo concreto para o ecossistema de inovação. A retenção do valor criado na academia europeia dependerá do ritmo de absorção industrial desta IA física, garantindo que o conhecimento desenvolvido em Portugal se converte em capacidade operacional própria e não apenas em exportação de talento ou patentes para mercados terceiros.