Sessenta por cento dos profissionais de tecnologias de informação registam um aumento na carga de trabalho associado à inteligência artificial, embora 55% considerem que a tecnologia reforça o pensamento crítico. Ao mesmo tempo, quatro em cada dez inquiridos antecipam uma redução no volume de contratações para funções de entrada no mercado.
Os números, conhecidos antes da cimeira tecnológica em Lisboa, desfazem a expetativa imediata de dias de trabalho mais curtos. A automação liberta capacidade em tarefas repetitivas, mas essa margem é absorvida por novos ciclos de verificação, integração e volume de output. Produz-se mais depressa, mas revê-se muito mais.
A pressão sobre o emprego júnior introduz um estrangulamento prático na formação de equipas. Se as ferramentas eliminam o trabalho de base que servia de treino aos recém-chegados, as empresas cortam no curto prazo os custos de integração, mas transferem para os perfis seniores a totalidade do processo de validação técnica.
A questão que se coloca aos líderes operacionais já não é a velocidade a que o software produz código ou documentos, mas como reestruturar os planos de carreira de entrada antes que a escassez de profissionais experientes se torne estrutural daqui a três ou quatro anos.

