Uma nova pesquisa da Ramp Economics Lab, plataforma de operações financeiras da Ramp, revela que empresas com investimentos significativos em IA expandiram as suas equipas mais rapidamente do que pares comparáveis. Os dados contrariam a narrativa de uma perda generalizada de empregos impulsionada pela IA, com as empresas de alta intensidade de adoção a registarem um crescimento de 10,2% na força de trabalho em apenas dois anos.

Esta descoberta não é um mero detalhe estatístico; é um sinal claro para decisores e founders. Durante meses, o debate sobre a IA foi sequestrado por um fatalismo que associava a automação à destruição de postos de trabalho. O estudo da Ramp Economics Lab oferece uma perspetiva que inverte essa lógica: o investimento ativo em IA não só não destrói empregos, como pode ser um motor de crescimento. É uma validação prática da ideia de que a tecnologia, quando bem integrada, expande mercados e cria novas funções, incluindo em níveis de entrada.

Para Portugal, e para qualquer economia com ambições de competitividade, a implicação é direta. Não se trata de uma escolha entre automatizar e empregar, mas de como usar a IA para aumentar a produtividade e, consequentemente, a capacidade de contratação. As empresas que hesitam no investimento em IA, por medo de desemprego ou por simples inércia, arriscam-se a ficar para trás não só em eficiência, mas também na capacidade de atrair e reter talento. A verdadeira questão deixa de ser se a IA vai substituir pessoas, e passa a ser: como é que as empresas que investem em IA vão superar aquelas que não o fazem, tanto em escala como na criação de oportunidades de trabalho?