Os operadores de telecomunicações em Portugal deverão investir 4,2 mil milhões de euros em redes 5G e comunicações por satélite nos próximos cinco anos, segundo dados avançados pelo Governo. A verba junta-se à expansão de fibra ótica, cabos submarinos e centros de dados, desenhados para sustentar projetos de inteligência artificial no país. Em paralelo, a Airbus e a Critical Software avançaram com a Critical FlyTech, uma joint venture sediada em Coimbra focada no desenvolvimento de software de missão para o setor aeroespacial.
A coincidência entre a aposta em telecomunicações e a instalação de uma estrutura industrial de software ilustra uma mudança nas exigências da computação avançada. Ter centros de dados e largura de banda é a base física, mas essa capacidade só ganha tração económica quando alimenta sistemas de alta tolerância a falhas, como a aviónica e a gestão de tráfego aéreo.
Para o ecossistema tecnológico nacional, a criação da Critical FlyTech valida que o valor gerado não se limita ao consumo de serviços digitais externos. Ao ligar a infraestrutura de dados diretamente à engenharia com certificação rigorosa, o país tenta fixar projetos onde o software não é um acessório de produtividade, mas o próprio componente crítico da operação.

