Portugal aderiu a um fundo europeu de 15 mil milhões de euros, desenhado para mitigar a saída de empresas tecnológicas de elevado crescimento – os chamados unicórnios – para mercados como o dos Estados Unidos. A iniciativa visa fortalecer o ecossistema tecnológico e de inovação europeu, incentivando o investimento e a retenção de talento e capital dentro do continente. O governo português não detalhou ainda o montante exato do seu investimento.
Esta adesão é mais do que um gesto de solidariedade; é um movimento estratégico que reconhece a fragilidade do nosso pipeline de inovação quando as empresas mais promissoras procuram capital e escala fora da Europa. O problema não é apenas a fuga de empresas, mas a perda de conhecimento, de massa crítica e, sobretudo, de futuras indústrias que poderiam nascer e escalar a partir de cá. A questão de fundo não é se a Europa consegue gerar unicórnios, mas se consegue financiá-los e retê-los quando atingem um determinado patamar de maturidade.
Ao participar neste fundo, Portugal assume uma posição ativa na construção de um ecossistema mais resiliente. O desafio agora passa por garantir que este capital não se limita a financiar empresas já estabelecidas, mas que se torna um catalisador para as startups de IA em fase inicial, que hoje enfrentam o mesmo dilema: crescer rápido e arriscar a relocalização, ou ter um crescimento mais contido e perder a janela de oportunidade. A verdadeira métrica de sucesso não será o número de empresas que o fundo apoia, mas a capacidade de criar um ambiente onde as próximas gerações de inovadores possam sonhar com uma escala global, a partir de Portugal, sem que a falta de capital seja a razão para a sua partida.

