A Comissão Europeia anunciou que 19 Estados-membros estruturaram o primeiro Projeto Importante de Interesse Europeu Comum (IPCEI) dedicado à inteligência artificial. O plano visa financiar e construir infraestruturas e serviços de IA descentralizados, abrangendo toda a cadeia de valor tecnológica, desde a capacidade computacional aos modelos aplicados. A lista de promotores reúne Áustria, Bélgica, Croácia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Luxemburgo, Países Baixos, Polónia, Roménia e Suécia. Portugal não faz parte deste grupo inicial e Bruxelas não detalhou os motivos da ausência nem indicou qualquer exclusão formal.

Ficar fora da mesa de desenho de um IPCEI não impede necessariamente uma adesão posterior, mas retira capacidade de influência na arquitetura das regras e nos critérios de financiamento. Estes mecanismos comunitários servem precisamente para contornar os limites normais de auxílios estatais, permitindo que os governos participantes injetem capital público em consórcios industriais de grande escala sem violar a concorrência europeia.

Para o ecossistema nacional, o risco imediato é de posicionamento. Quando as grandes parcerias transfronteiriças de infraestrutura e computação começarem a distribuir trabalho e recursos, os centros de investigação e empresas sediados nos 19 países fundadores têm primazia natural na partilha de propriedade intelectual e capacidade instalada. Portugal terá de clarificar rapidamente se tenciona associar-se ao projeto na fase de notificação ou se pretende ancorar a sua estratégia de capacidade computacional fora deste mecanismo conjunto.