A RE/MAX Portugal passou a utilizar um assistente de inteligência artificial no primeiro contacto com potenciais clientes. A ferramenta faz o atendimento inicial, recolhe os dados essenciais da pesquisa ou do serviço pretendido e encaminha de imediato o lead para a agência e o consultor considerados mais adequados, com base na localização e no perfil do pedido.

A mudança parece apenas um ganho operacional de velocidade no atendimento, mas altera a dinâmica interna de uma rede de mediação. Ao colocar um algoritmo na triagem inicial, a marca centraliza a decisão sobre quem recebe o cliente qualificado e com que critério essa atribuição é feita.

No modelo tradicional de agência, a rapidez de resposta individual do consultor costumava ditar o sucesso na captura do contacto. Com a qualificação prévia entregue ao software, a diferenciação do profissional desloca-se inteiramente para a conversão: o primeiro filtro deixa de ser humano, mas o fecho do negócio continua dependente da capacidade técnica e relacional de quem recebe a ficha já trabalhada.

Esta automação traz também exigências claras de transparência, tanto para fora como para dentro da rede. Os clientes precisam de saber como os seus dados de pesquisa são tratados na primeira interação, enquanto os consultores passam a depender de critérios algorítmicos que têm de ser percetíveis para manter a confiança na distribuição do negócio.