A discussão sobre o impacto da Inteligência Artificial no mercado de trabalho intensifica-se, e o CEO de uma empresa de IA oferece uma perspetiva concreta sobre como a Geração Z pode navegar neste cenário. A sua análise, publicada no Estadão, foca-se nas competências que se tornam cruciais à medida que a tecnologia redefine funções e cria novas categorias de emprego, um tema que ressoa profundamente com os desafios de competitividade e adoção tecnológica em Portugal.

O cerne da questão não reside na substituição pura de empregos por máquinas, mas antes na reconfiguração das exigências. A narrativa de um “apocalipse do emprego” é, na sua essência, um alarme para a necessidade de uma adaptação acelerada. O que antes eram competências valorizadas, como a execução repetitiva de tarefas, perdem relevância a favor de capacidades que complementam a IA, em vez de competir com ela. A tese central aponta para a valorização de uma literacia digital avançada, não apenas no uso de ferramentas, mas na compreensão dos seus princípios operacionais e limitações. Isto estende-se à capacidade de trabalhar com dados, de interpretar insights gerados por algoritmos e de aplicar o pensamento crítico na resolução de problemas complexos que a IA ainda não consegue abordar de forma autónoma.

Para o contexto português, onde a modernização e a produtividade são imperativos, esta perspetiva é mais do que teórica. A adoção ativa de tecnologia, sobretudo a IA, exige uma força de trabalho que não só a utilize, mas que a molde e a otimize. A sobrevivência profissional da Geração Z, e por extensão, a competitividade do nosso tecido empresarial, dependerá da agilidade em desenvolver estas competências. Não se trata de uma mera requalificação em cursos genéricos, mas sim de um investimento estratégico na literacia de dados, no pensamento computacional e na capacidade de adaptação contínua a novos frameworks e ferramentas. A consequência impulsionadora é clara: as empresas e as instituições de ensino em Portugal devem antecipar estas mudanças, integrando as competências do futuro nos seus currículos e programas de formação, garantindo que os profissionais de amanhã estejam aptos a construir, e não apenas a consumir, o futuro impulsionado pela IA.