A agência alemã de inovação disruptiva SPRIND e a neerlandesa NADI abriram um programa conjunto de 40 milhões de euros para apoiar o desenvolvimento de semicondutores de IA com elevado desempenho e eficiência energética. O concurso admite candidaturas de empresas, startups e consórcios portugueses até 30 de novembro de 2026, com uma dotação faseada que vai até 2,6 milhões de euros na fase inicial e pode atingir 7 milhões de euros na segunda etapa.

O desenho deste financiamento expõe a mudança de prioridade da indústria europeia: o foco deslocou-se do software de modelos para a camada física de processamento e consumo energético, onde a autonomia industrial é hoje mais frágil. Ao estruturar os apoios em duas fases com valores substanciais, o programa não financia exploração académica isolada, mas sim protótipos que consigam provar viabilidade técnica antes de receberem capital de escala.

Para o ecossistema nacional, o acesso direto a fundos bilaterais da Alemanha e Países Baixos permite ultrapassar a dependência habitual dos grandes programas-quadro comunitários. A candidatura de equipas portuguesas mede a capacidade real de converter investigação em microeletrónica em propriedade intelectual comercializável e contratos de integração com consórcios do centro da Europa.