A maioria das empresas portuguesas deposita confiança no potencial da Inteligência Artificial para gerar novas oportunidades. Esta é uma das conclusões do mais recente Human Capital Trends Study da Aon, que, no entanto, aponta para uma dissonância significativa: a preparação organizacional e a capacitação dos trabalhadores para esta nova era tecnológica ainda se revelam insuficientes.
Esta tensão entre a perceção do valor e a capacidade de o concretizar não é um mero atraso operacional; é um sintoma de uma abordagem que prioriza a intenção sobre a infraestrutura e a formação. A crença no potencial da IA, por si só, não move agulhas. Sem um investimento robusto na adaptação das equipas e dos processos, o que se prevê como oportunidade rapidamente se pode tornar em mais um custo ou, pior, em vantagem para a concorrência.
Para o decisor português, o dado da Aon não é apenas um alerta. É um espelho que reflete o risco de se ficar refém de soluções externas ou de se ver ultrapassado por quem fez o trabalho de casa. A verdadeira questão não é se as empresas acreditam na IA, mas sim se estão dispostas a reformular a sua estrutura e a investir na base – as pessoas – para que essa crença se traduza em resultado tangível.
O desafio não reside apenas em adquirir as ferramentas mais recentes, mas em redefinir o capital humano para as utilizar eficazmente e integrá-las na cultura de trabalho. Sem uma estratégia robusta para a formação contínua e para a adaptação das estruturas, as empresas correm o risco de acumular ferramentas sofisticadas que ninguém sabe usar eficazmente, ou que não se encaixam na cultura de trabalho existente. A consequência direta é uma produtividade estagnada e um atraso na verdadeira vantagem competitiva que a IA promete.

