Sofia Tenreiro, CEO da Siemens Portugal, defende que a inteligência artificial industrial – uma vertente distinta da IA generativa a que o público se habituou – será fundamental para aumentar a produtividade, autonomia e competitividade da indústria nacional.

Este é um ponto importante que merece ser sublinhado: a conversa não é sobre a IA que escreve textos ou gera imagens, mas sim sobre sistemas que otimizam processos fabris, preveem falhas em máquinas e gerem cadeias de produção. Para um país como Portugal, com uma base industrial que procura escalar em valor, esta distinção é tudo. Ignorar a IA industrial em favor de um debate focado apenas nas ferramentas de consumo é perder o foco do que pode realmente mover agulhas na economia.

A tese da Siemens, que aponta para uma IA mais integrada e menos "hype", coloca a responsabilidade da adoção não apenas na tecnologia em si, mas na capacidade das empresas de a integrar nos seus processos. Não basta ter a ferramenta; é preciso redesenhar o chão de fábrica, a logística e, sobretudo, a mentalidade. A verdadeira consequência, portanto, não está na promessa da tecnologia, mas na disciplina de quem a implementa. Sem isso, a produtividade prometida pela IA industrial em Portugal continuará a ser apenas uma ideia distante.