O Presidente Trump assinou uma ordem executiva que visa garantir acesso antecipado a novos lançamentos de IA. Esta decisão move a inteligência artificial para fora dos laboratórios, integrando-a plenamente na política industrial, onde o poder já não reside apenas em desenvolver modelos, mas também em definir quem pode treiná-los, comprá-los e exportá-los.

O relato sublinha a crescente preocupação governamental com a regulação e o controlo do acesso a tecnologias de IA emergentes. Para empresas europeias, e em particular para os decisores em Portugal, este tipo de iniciativa transforma a tecnologia em geopolítica operacional. Questões como o acesso a fornecedores e a gestão de compliance deixam de ser meramente técnicas para se tornarem parte integrante da mesma conversa estratégica.

Sim, e o que significa isto para a nossa competitividade? A ordem executiva não é apenas um movimento isolado; é um sinal de que a soberania tecnológica, particularmente no domínio da IA, está a ser redefinida através de instrumentos políticos. Enquanto nos focamos no desenvolvimento interno e na adoção de IA, a verdadeira corrida pode estar a acontecer nos bastidores da regulação e do acesso privilegiado.

Para Portugal, a lição é clara: a política de IA não pode ser apenas reativa ou focada em casos de uso genéricos. É preciso antecipar que a capacidade de inovar e de usar IA será cada vez mais moldada por decisões políticas externas, que podem criar barreiras ou acelerar a adoção para uns e não para outros. A nossa estratégia deve, portanto, incluir uma visão proativa sobre como assegurar um pipeline robusto de acesso a modelos e capacidades de IA, mitigando dependências e construindo uma posição negocial.

A questão, para os nossos founders e builders, não é apenas qual o melhor modelo, mas sim como garantir que o acesso a esses modelos não se torna um privilégio restrito, ditado por agendas de outros mercados.