Um estudo da Cegid, conduzido pela OpinionWay junto de 502 trabalhadores de escritório em Portugal, revela que 84% já utilizam ferramentas de inteligência artificial no dia a dia profissional. O dado central do inquérito, contudo, não é a adesão individual, mas o fosso operacional: apenas 6% dos inquiridos trabalham em organizações com integração total da tecnologia, enquanto 69% recorrem a soluções externas sem conhecimento da empresa.

Este desfasamento expõe o fenómeno do shadow IT aplicado à IA generativa em escala alargada. Quando mais de dois terços da equipa utilizam contas pessoais e plataformas públicas para resolver tarefas de trabalho, a adoção tecnológica deixa de ser uma decisão estratégica de topo e passa a ser uma resposta improvisada de quem procura produtividade imediata.

Para as lideranças, este cenário traz um risco concreto de fuga de dados e perda de controlo de processos, mas sinaliza sobretudo uma oportunidade de alinhamento. A resistência à mudança, habitualmente apontada como o principal travão à modernização dos negócios em Portugal, não existe na base; a fricção reside na lentidão com que as organizações formalizam ferramentas, definem acessos e estabelecem regras claras de utilização.

O desafio imediato para as empresas portuguesas não é convencer as equipas a adotar inteligência artificial, mas transformar um hábito individual clandestino em infraestrutura corporativa segura e partilhada.