Uma versão de testes do modelo de inteligência artificial português Amália, desenvolvido por um consórcio de universidades públicas, está a ser treinada para identificar 23 técnicas de persuasão e manipulação em artigos de imprensa. O projeto, liderado pela Universidade do Porto, visa detetar elementos como apelos ao medo ou preconceito. Segundo o Ministério da Reforma do Estado, a funcionalidade faz parte de um use case específico de investigação académica.

Esta capacidade de análise linguística pelo modelo nacional abre uma oportunidade inédita para a sofisticação das ferramentas de edição e verificação em língua portuguesa. Treinar um modelo público para descodificar nuances de retórica transfere para o ecossistema local uma competência técnica que, até agora, dependia de plataformas proprietárias estrangeiras. O valor deste desenvolvimento reside na criação de uma infraestrutura linguística capaz de compreender as subtilezas culturais e políticas do nosso jornalismo, servindo de base para novas aplicações de apoio à redação.

O passo seguinte exige focar este motor de análise na capacitação dos próprios produtores de informação. Disponibilizar estas métricas de forma aberta permite que redações, editoras e criadores de conteúdos integrem o modelo nos seus sistemas de gestão de conteúdos para auditar a qualidade e o equilíbrio do seu próprio trabalho antes da publicação. Em vez de um filtro de classificação externa, o Amália pode funcionar como um assistente de autorregulação que eleva o padrão de exigência do mercado de media.

A viabilidade comercial desta tecnologia dependerá da rapidez com que as universidades consigam transformar este modelo experimental numa API acessível para integração direta nos sistemas de publicação dos órgãos de comunicação social.