O modelo de inteligência artificial em português Amália vai receber 1,8 milhões de euros através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A nova fase do projeto alarga o âmbito do sistema ao processamento de voz e imagem, além de texto, com vista à integração de ferramentas operacionais na administração pública.
A expansão técnica assenta no acesso e avaliação de acervos da Biblioteca Nacional, da Cinemateca Portuguesa, de arquivos e museus nacionais, prevendo também canais de articulação com os órgãos de comunicação social.
O valor deste investimento não reside em tentar rivalizar com modelos fundacionais globais em capacidade bruta de computação. A utilidade do Amália mede-se pela custódia e contextualização de património documental em português que os gigantes tecnológicos não indexam nem licenciam com o mesmo nível de profundidade.
Ao ligar o treino do modelo a acervos institucionais e arquivos de imprensa, o projeto enfrenta o teste mais complexo da IA aplicada: clarificar direitos de autor, governação de dados públicos e limites de reprodução antes de os sistemas entrarem em produção nos balcões do Estado.
Se o processo conseguir estabelecer um padrão transparente de licenciamento e tratamento de dados institucionais, o Amália deixa de ser apenas uma experiência tecnológica financiada por fundos comunitários e passa a funcionar como infraestrutura de referência para qualquer entidade que precise de trabalhar documentação administrativa em português.

