As empresas estão a capturar apenas 10% do valor económico e operacional prometido pela inteligência artificial. O diagnóstico foi deixado por Dario Amodei, CEO da Anthropic, que admitiu surpresa com o ritmo a que a tecnologia se fixou no centro da economia, ao mesmo tempo que pediu uma resposta coordenada do setor aos desafios de segurança.
A discrepância não decorre da falta de ferramentas, mas do desfasamento entre ter acesso a modelos avançados e conseguir redesenhar processos de trabalho em torno deles. Na maioria das organizações, a tecnologia continua confinada a utilizações periféricas, como resumos de reuniões ou apoio básico de texto, que não alteram a estrutura de custos nem a capacidade de entrega.
Quando um dos principais criadores de modelos de linguagem aponta que 90% do valor permanece por desbloquear, a responsabilidade deixa de recair apenas na evolução técnica dos algoritmos. O estrangulamento mudou de sítio: reside agora nos sistemas internos, na integração com bases de dados legadas e na resistência operacional à automação de fluxos críticos.
Ao associar este fosso à necessidade de normas de segurança partilhadas pela indústria, Amodei sinaliza também que a expansão para operações sensíveis só acontecerá se houver fiabilidade técnica comprovada. Para quem decide investimentos tecnológicos, o aviso é direto: o retorno da IA depende menos de contratar mais licenças de software e muito mais de identificar que processos nucleares podem ser reconstruídos com segurança.

