O relatório «Global AI Pulse Q1 2026», da KPMG, inquiriu 2.110 executivos de topo em 20 países e oito setores, revelando que a inteligência artificial está firmemente na agenda estratégica das organizações. Contudo, o estudo indica que apenas 8% dessas empresas demonstram um retorno efetivo e mensurável do investimento em IA.
Este dado, mais do que um alerta, é um espelho. Muitas empresas investem em IA com a lógica do “temos de ter”, impulsionadas pelo hype e pela pressão competitiva, sem uma estratégia clara de monetização ou otimização de processos. A dificuldade não reside na adoção da tecnologia em si, mas na transição de um projeto-piloto para uma solução escalável que entregue valor tangível ao negócio.
É aqui que a questão se torna pragmática para os decisores em Portugal. Não basta apostar em IA; é imperativo definir métricas claras de sucesso e construir um pipeline de projetos que se alinhem diretamente com objetivos de negócio mensuráveis, seja na redução de custos, na otimização da produtividade ou na criação de novas fontes de receita. A diferença entre o entusiasmo inicial e o retorno concreto está na disciplina de execução e na capacidade de integrar a IA nos workflows existentes, não como um apêndice, mas como um motor de crescimento. Ignorar esta etapa significa arriscar que o investimento se dilua, transformando uma promessa tecnológica num custo sem benefício aparente.

