Jeff Bezos, fundador da Amazon, afirmou na conferência VivaTech, em Paris, que a Inteligência Artificial conduzirá a uma escassez de mão de obra, e não à substituição de humanos. A sua visão otimista sublinha o papel da tecnologia como ferramenta de apoio à humanidade.

Esta perspetiva desafia a narrativa corrente de que a IA será um agente de desemprego massivo. O que Bezos sugere é uma transformação profunda do mercado de trabalho, onde a automação liberta capital humano para funções mais complexas e criativas. A tese central, aqui, não é a de que a IA vai criar empregos, mas sim que vai redefinir o valor do trabalho humano, elevando a fasquia para competências que as máquinas ainda não conseguem replicar.

Para decisores e founders em Portugal, a implicação é clara: a escassez de talento qualificado não é um problema futuro, mas uma realidade que será acelerada. Não se trata de competir com a IA, mas de capacitar equipas para trabalhar com ela. O foco deve, portanto, recair na requalificação e na criação de um pipeline de talento apto a operar e inovar com estas novas ferramentas. Quem não investir proativamente nesta adaptação corre o risco de ficar para trás, não por falta de tecnologia, mas por ausência de quem a saiba usar para gerar valor.

O verdadeiro desafio não está em prever a dimensão da mudança, mas em preparar os sistemas de educação e formação profissional para uma economia onde a produtividade será cada vez mais mediada pela máquina. Como se garante que Portugal tem as pessoas certas para preencher essa crescente lacuna?