A Câmara Municipal de Cascais colocou em operação um sistema de monitorização costeira que cruza dados de satélite, sensores oceanográficos e modelos de inteligência artificial para antecipar a rota da alga invasora Rugulopteryx okamurae. A tecnologia prevê a deslocação da massa vegetal e aciona barreiras flutuantes em mar aberto para conter a alga antes de esta atingir os areais.

A proliferação da Rugulopteryx okamurae tem provocado danos nos ecossistemas marinhos e custos elevados na limpeza de praias, com impacto direto na pesca local e no turismo. A resposta tradicional assenta na remoção pesada em terra, um processo reativo que atua apenas quando o prejuízo económico e ambiental já se concretizou.

A diferença neste projeto reside no fecho do ciclo entre a análise preditiva e a execução mecânica. Enquanto a maioria das aplicações de inteligência artificial na administração pública estagna em painéis de visualização e relatórios passivos, este sistema conecta a leitura de dados remotos a uma resposta física no meio aquático. Mover a contenção para o mar reduz a necessidade de intervenções em terra e previne interrupções na atividade económica das zonas balneares.

Se os resultados operacionais confirmarem a eficiência das barreiras nos picos de afluência, o caso de Cascais altera a referência para a gestão costeira municipal: o valor da monitorização preditiva deixa de residir no diagnóstico e passa a medir-se pela capacidade de acionar respostas físicas em tempo real.