O ChatGPT, ao inventar batalhas e omitir factos históricos, levanta preocupações crescentes sobre a literacia digital dos estudantes portugueses. A utilização destas ferramentas sem um espírito crítico apurado expõe uma fragilidade no sistema educativo, que já não pode ignorar a disseminação da inteligência artificial. Este cenário é agravado por um Governo que, aparentemente, não aprende com erros de comunicação anteriores, como os do SIRESP, replicando uma falta de rigor na gestão da informação.

A corrida entre os modelos de linguagem não é apenas uma questão de superioridade técnica; é, acima de tudo, uma batalha pela captura do utilizador. Cada avanço, cada algoritmo mais "inteligente", é também uma tentativa de aprisionar o público a uma forma particular de interagir e processar informação. O modelo que vencer não será necessariamente o mais brilhante em abstrato, mas aquele que conseguir transformar a sua capacidade em rotina diária antes que o mercado tenha tempo de comparar alternativas de forma eficaz.

Esta dinâmica tem implicações diretas para a competitividade em Portugal. Se a próxima geração de profissionais e decisores é educada num ambiente onde a informação gerada por IA é consumida acriticamente, a capacidade de análise e tomada de decisão será comprometida. O risco não está apenas na invenção de factos, mas na erosão da capacidade de distinguir entre o que é factual e o que é fabricado. O verdadeiro desafio não é proibir a IA na escola, mas integrá-la de forma que desenvolva, e não atrofie, o pensamento crítico.

A questão que se impõe é se Portugal está preparado para esta nova realidade. Os decisores políticos e educacionais precisam de reconhecer que a literacia digital, no contexto da IA, já não é um luxo, mas uma fundação para a produtividade e a inovação. Ignorar este desafio é condenar o país a uma dependência de ferramentas que podem, literalmente, reescrever a sua história, sem que ninguém se aperceba. O sucesso não virá de modelos mais avançados, mas da capacidade de quem os usa para questionar, verificar e adaptar. De outra forma, estaremos apenas a substituir um problema de comunicação por um problema de cognição.