A Anthropic apresentou o Claude Science, uma aplicação personalizável que visa integrar as ferramentas e pacotes mais utilizados por investigadores. A plataforma promete gerar resultados auditáveis e oferecer acesso flexível a recursos computacionais.
Esta não é apenas mais uma ferramenta de IA para cientistas. Ao focar-se na integração profunda de packages e ferramentas já estabelecidas no quotidiano da investigação, o Claude Science sugere uma mudança na forma como as equipas de I&D vão interagir com a inteligência artificial. O valor não reside na capacidade de gerar um texto ou código, mas em criar um ambiente de trabalho coeso, onde a IA se torna um orquestrador de processos complexos, desde a simulação à análise de dados, tudo com um registo de passos verificável. É uma aposta na produtividade através da minimização da fricção entre diferentes etapas e aplicações, um desafio constante em laboratórios e centros de investigação.
O verdadeiro teste, e a oportunidade para quem desenvolve e adota tecnologia em Portugal, não está na capacidade técnica da IA, mas na sua adaptabilidade aos workflows existentes. A questão passa a ser: como podemos não apenas adotar estas plataformas, mas também usá-las para redesenhar as nossas próprias metodologias de investigação, tornando-as mais ágeis e menos dependentes de processos manuais dispersos? A resposta pode estar em desafiar o status quo, não só com novas ferramentas, mas com uma reavaliação estratégica de todo o pipeline de descoberta científica.

