A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) emitiu um alerta público para o aumento de fraudes financeiras no mercado de capitais que recorrem a ferramentas de inteligência artificial. O regulador identifica, em particular, a circulação de falsas entrevistas e vídeos deepfake com figuras públicas em redes sociais e canais de mensagens privadas para captar capitais de investidores de retalho.

O alerta assinala uma mudança prática na economia da burla financeira: a IA generativa reduziu a quase zero o custo de produção de campanhas de engenharia social que antes exigiam equipas dedicadas ou sofisticação técnica excecional. O problema deixou de ser apenas a promessa de rentabilidade irrealista e passou a ser a falsificação verosímil da prova social e da autoridade institucional.

Para o ecossistema financeiro e tecnológico nacional, este cenário desloca a exigência da literacia financeira clássica para a literacia de autenticação. Enquanto os canais de distribuição digitais continuarem a monetizar alcance sem validação rigorosa de identidade na origem dos anúncios, a responsabilidade de conferência recai inteiramente sobre os intermediários autorizados e sobre o utilizador final.

A eficácia da regulação e da supervisão passa a depender menos de listas estáticas de entidades não autorizadas e mais da rapidez com que reguladores, plataformas de distribuição e bancos colaboram para interromper o ciclo de conversão destes esquemas antes de o capital sair do circuito formal.