Uma nova pesquisa da Cognizant revela que as empresas que combinam uma infraestrutura tecnológica madura com uma estratégia de investimento em IA focada nos seus fundamentos superam as restantes em 31% nos resultados compostos. O estudo indica que dois terços dos líderes ainda não demonstraram ganhos mensuráveis de produtividade de negócio com a IA, e um em cada quatro já pausou ou abandonou as suas implementações.
Este cenário de ganhos potenciais versus a dificuldade real de execução sublinha uma tensão crítica. O problema não reside na promessa da inteligência artificial, que a Cognizant quantifica em 4,7 biliões de dólares de valor inexplorado nas empresas G2000, mas sim na capacidade de transformar essa promessa em retorno tangível. O diferencial de 31% não é um acaso; ele surge onde a visão estratégica da IA encontra uma base tecnológica robusta, capaz de a suportar.
O que observamos é que a aposta na IA, por si só, não é suficiente. As empresas que falham não o fazem por falta de intenção ou investimento, mas por uma desconexão entre a ambição e a preparação da sua infraestrutura e dos seus pipelines de dados. Pausar ou abandonar implementações, como um quarto das empresas já fez, não é um sinal de que a IA não funciona, mas sim de que a sua adoção exige mais do que a simples aquisição de tecnologia.
Para decisores e founders em Portugal, isto deve servir como um insight fundamental: a corrida não é para quem adota a IA mais cedo, mas para quem a integra de forma mais inteligente. Antes de escalar projetos, é preciso solidificar a base. Isso significa investir na modernização dos legacy systems, na governança dos dados e na capacitação das equipas para que consigam extrair valor real dos modelos. A produtividade não é um subproduto automático da IA; é o resultado de uma estratégia consciente que alinha a tecnologia com a arquitetura de negócio já existente.
A verdadeira vantagem competitiva não virá de um modelo de IA superior, mas da capacidade de uma organização para o absorver e aplicar de forma eficaz, transformando a capacidade bruta em valor operacional. A questão, portanto, não é se a IA criará valor, mas sim quem está verdadeiramente preparado para o reclamar.

