A Comissão Europeia abriu o concurso para a instalação de até sete Gigafábricas de IA no espaço comunitário, mobilizando 10 mil milhões de euros em fundos públicos e prevendo a atração de 20 mil milhões de euros em investimento privado. O projeto conta com a adesão de 18 Estados-Membros para expandir a capacidade de supercomputação da União Europeia, garantindo a empresas, startups e investigadores acesso a supercomputadores avançados e chips de última geração.

A iniciativa ataca a barreira mais pesada do setor: o custo de capital necessário para treinar modelos de grande escala. Ao partilhar a fatura de infraestrutura entre o orçamento comunitário, os Estados-Membros e os privados, a Europa tenta construir uma alternativa de soberania tecnológica frente à capacidade instalada nos EUA e na China.

O valor desta intervenção depende, contudo, da arquitetura de acesso. Garantir poder de cálculo a custos comportáveis resolve a fase inicial de desenvolvimento, mas cria um teste de retenção. Sem mercados capazes de consumir estas soluções e sem capital de fase adiantada para absorver essa escala, a infraestrutura pública corre o risco de financiar a fase mais dispendiosa do treino para modelos que acabam comercializados noutras geografias.

A eficácia do concurso medir-se-á pela agilidade na atribuição do tempo de cálculo e pela capacidade de atrair os 20 mil milhões de euros do setor privado. A infraestrutura atrai o treino dos modelos; a capacidade de fixar a exploração comercial determinará o retorno real do investimento público.