A Defined.ai vai cortar 30% da sua força de trabalho a nível global, com o maior impacto focado no centro de investigação e desenvolvimento em Portugal, que emprega cerca de 120 pessoas. A reestruturação é acompanhada pelas saídas da diretora de operações, Manel Marco, e da diretora financeira, Teresa Andrade, alterações que a empresa refere terem sido planeadas antes do processo de corte. O foco operacional passa para os Estados Unidos, onde reside a maior parte da carteira de clientes, mantendo-se contudo a participação da empresa no consórcio da gigafábrica de IA portuguesa.

A decisão de concentrar recursos onde o mercado pagador está reflete a pressão direta sobre o setor dos dados para treino de modelos de linguagem. À medida que o mercado de IA amadurece, a capacidade de gerar receita no mercado norte-americano sobrepõe-se à eficiência de custos do desenvolvimento na Europa, forçando reestruturações nas operações distantes do cliente final.

A permanência no consórcio da gigafábrica de IA em Portugal expõe um duplo movimento típico das scaleups nacionais. Por um lado, mantém-se o acesso à infraestrutura e ao ecossistema institucional europeu; por outro, transfere-se a liderança comercial e a tomada de decisão para o ecossistema que dita as tabelas de preços do setor.

Para as tecnológicas fundadas em Portugal, a reestruturação da Defined.ai demonstra que manter o núcleo de engenharia no país exige uma tração comercial acelerada no estrangeiro. Quando o ritmo de vendas abranda, a distância física entre a equipa técnica e quem compra os produtos torna-se o primeiro alvo de ajuste.