Um estudo da QSP – Marketing Management & Research revela que as empresas portuguesas estão a intensificar o seu investimento em Inteligência Artificial, mas a maioria opera ainda sem políticas internas que regulem o uso destas tecnologias.

Este desfasamento entre a adoção de ferramentas de IA e a ausência de um framework de governação interno cria uma tensão. A regulação deixa de ser um mero cenário de fundo para se integrar no próprio produto, definindo os limites, as provas de funcionamento e as responsabilidades de cada sistema. A vantagem competitiva já não reside apenas na promessa comercial, mas na capacidade de provar o funcionamento, gerir o risco e assegurar a governação, tudo isto sem travar a adoção.

Para o decisor português, o desafio não é apenas investir em IA, mas estruturar esse investimento. Ignorar a criação de políticas internas equivale a construir uma casa sem planta, confiando que a estrutura se aguenta. É um convite à ineficiência, a gaps de compliance e, em última instância, à perda de valor. A prioridade imediata é transpor a discussão da regulação externa para a criação de princípios internos claros. Só assim se capitaliza o investimento, transformando a mera adoção em vantagem operacional sustentável.