O Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM), maior credor de Portugal, manifesta preocupação com um possível colapso no setor da Inteligência Artificial e o risco de uma nova recessão na Europa em 2027. Esta é uma leitura que, vinda de uma instituição com o peso financeiro e a capacidade de análise do ESM, não pode ser ignorada, sobretudo em Portugal, onde a dependência de capitais externos e a vulnerabilidade a choques económicos são realidades persistentes.

A tese do ESM não é sobre a tecnologia em si, mas sobre a sua economia. A preocupação central não reside tanto numa falha intrínseca dos modelos de IA, mas sim numa potencial bolha de investimento, um cenário de sobrevalorização que, a rebentar, arrastaria consigo setores e economias. A Europa, e em particular Portugal, não pode dar-se ao luxo de esperar pelo desfecho desta previsão. A questão não é se a IA é uma aposta válida, mas sim como os decisores e builders portugueses se estão a posicionar para mitigar o risco de uma retração, ao mesmo tempo que capitalizam as oportunidades.

A aposta deve ser clara: desenvolver e adotar IA com um foco pragmático na produtividade e na competitividade, mas sem a ilusão de que a tecnologia, por si só, é um escudo contra a instabilidade financeira global. Significa construir capacidades internas, diversificar investimentos em tecnologia para além do hype e criar frameworks de resiliência que protejam a economia nacional de flutuações externas. A verdadeira inovação, neste contexto, não é apenas tecnológica, mas estratégica e regulatória, preparando o terreno para um crescimento sustentável, mesmo quando as projeções macroeconómicas apontam para a turbulência.