Uma investigação académica analisou aplicações móveis de comércio eletrónico na Nigéria para perceber como a inteligência artificial está a ser implementada e que informação chega aos utilizadores sobre o seu funcionamento. Através de análise forense do código de aplicações Android combinada com avaliação da documentação pública, o estudo confirma que a IA está amplamente presente nestas plataformas, a decidir recomendações, preços e filtragem de conteúdo, mas as práticas de divulgação e transparência para o utilizador final são praticamente inexistentes.
A investigação usa a transparência da plataforma como indicador central de soberania digital: não basta que a tecnologia esteja disponível localmente, é preciso que o utilizador saiba quando está a interagir com um sistema automatizado e tenha alguma capacidade de o questionar. No mercado analisado, essa ausência de sinalização tem um custo concreto: associa-se ao aumento de fraude e à perda de controlo dos utilizadores sobre os próprios dados, num setor em rápida expansão em toda a África Ocidental.
O caso nigeriano funciona como aviso para qualquer mercado onde o comércio eletrónico móvel cresce mais depressa do que a regulação consegue acompanhar, Portugal incluído. Para plataformas e reguladores, o problema não é a automação em si, mas a opacidade: exigir divulgação clara do uso de IA e mecanismos de auditoria torna-se tão relevante como qualquer regra sobre localização de dados.

