A Força Aérea Portuguesa celebrou um contrato de 7,8 milhões de euros com a Tekever para a aquisição de dois sistemas aéreos não tripulados AR5, uma estação de controlo em terra, o sistema de missão ATLAS e a formação de operadores militares. O investimento, financiado pela Lei de Programação Militar, prevê a entrega dos equipamentos em setembro de 2026 e o arranque da formação em outubro, direcionado para missões de vigilância marítima na Zona Económica Exclusiva, segurança costeira e apoio à deteção de incêndios.
O AR5 é um drone de asa fixa de média altitude e longa autonomia (MALE), com capacidade para voar até 20 horas consecutivas, carregar até 50 quilos de carga útil e comunicar por satélite. A integração do sistema ATLAS permite processar dados de sensores em tempo real e distribuir a informação de missão diretamente para os centros de decisão.
O valor central deste contrato não reside na simples aquisição de equipamento, mas na consolidação da contratação pública como instrumento de capacidade soberana. Quando o Estado assume a posição de cliente exigente perante a indústria tecnológica nacional, substitui a dependência de fornecedores externos por validação operacional feita em território próprio.
Horas de voo em missões militares reais valem mais do que qualquer programa de subvenção ao desenvolvimento. Ao converter verbas da Lei de Programação Militar em contratos com requisitos operacionais estritos, Portugal constrói uma referência de execução para sistemas não tripulados que reforça simultaneamente a vigilância do mar e a maturidade comercial do setor.

