A procura por funções na cadeia de abastecimento que exigem competências em Inteligência Artificial (IA) registou um aumento de 387% entre 2023 e 2026, uma taxa que ultrapassa largamente o crescimento geral do mercado de trabalho. Os dados são da Gartner, que aconselha as empresas a priorizar a requalificação interna e a expandir o uso de talento de nível inicial para construir um pipeline sustentável de capacidades de IA.

Esta tendência não é apenas um número, mas um barómetro da pressão crescente sobre as empresas para integrar a IA nas suas operações logísticas. A lacuna de talento em IA na cadeia de abastecimento é hoje um dos maiores desafios à transformação digital. As empresas não precisam apenas de estratégias de adoção tecnológica, mas de um plano robusto para o desenvolvimento da força de trabalho que a suporte.

Em Portugal, esta realidade é ainda mais acentuada. A dificuldade em atrair e reter talento tecnológico agrava-se quando falamos de competências tão específicas como a IA aplicada à logística. A revalidação de competências e a aposta em programas de formação contínua dentro das organizações não é uma opção, mas uma necessidade imperativa. As empresas que ignorarem esta urgência correm o risco de ver a sua competitividade comprometida, incapazes de otimizar processos, prever disrupções ou responder com agilidade às dinâmicas de mercado. A questão não é se a IA vai transformar a cadeia de abastecimento, mas se as empresas portuguesas estarão prontas para a gerir.