O Governo alocou 200 milhões de euros para apoiar a futura Gigafábrica de Inteligência Artificial através da aquisição direta de capacidade de computação. Segundo fonte oficial, o modelo financeiro exclui qualquer participação do Estado no capital social da empresa responsável pela infraestrutura.
A escolha de atuar como cliente-âncora em vez de acionista altera a dinâmica da intervenção pública na supercomputação. Em vez de imobilizar capital na estrutura societária e assumir os riscos da governação direta, a administração pública garante procura inicial e converte o montante financeiro num recurso técnico diretamente utilizável.
Este mecanismo transfere a exigência da política pública para a eficácia do modelo de distribuição. Garantir que startups e centros de investigação acedem a esse poder de cálculo com processos ágeis determina se a verba funciona como catalisador do ecossistema local ou como simples garantia de receita para a infraestrutura.
O sucesso da medida não será medido pelo montante da dotação financeira, mas pela rapidez com que as horas de supercomputação contratadas chegam às equipas que desenvolvem modelos e aplicações em Portugal.

