O Governo português criou uma nova estrutura de governação tecnológica, agregando diversos organismos públicos para acelerar a agenda de transformação digital na Administração Pública. A primeira reunião desta rede focou-se na aplicação da inteligência artificial (IA) ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), com uma estimativa de poupança de 300 milhões de euros.
Mais do que o anúncio em si, interessa-nos a velocidade com que a IA transita da experimentação para a decisão, para os processos e, inevitavelmente, para as relações de poder. Há um entusiasmo compreensível, mas também uma questão que não pode ser ignorada: quem, em Portugal, está realmente preparado para usar esta tecnologia com a ambição, o critério e a responsabilidade que ela exige?
Esta aposta do Estado na modernização da administração pública e do setor da saúde através da IA, com um impacto financeiro projetado, é um passo importante. Contudo, o verdadeiro desafio reside em distinguir a promessa da capacidade real. Quem tem o conhecimento e os recursos para implementar estas soluções? Que barreiras, regulatórias ou de competências, subsistem? E, acima de tudo, que organizações terão a coragem de transformar a novidade tecnológica em vantagem competitiva e em melhoria efetiva dos serviços públicos?

