A narrativa de que a inteligência artificial dizimará os empregos de colarinho branco, com vagas de despedimentos no setor tecnológico (recentemente na Coinbase, Meta e Cisco) a servirem de prenúncio, é comum. Contudo, antes de abandonar a sua carreira como programador, analista financeiro ou jornalista de tecnologia, há um detalhe a observar.
A tensão é palpável: as mesmas empresas que promovem a produtividade algorítmica estão, internamente, a redesenhar o tamanho e o papel das suas equipas. Este sinal, recolhido diretamente de uma fonte PTIA, torna a IA menos uma narrativa de eficiência abstrata e mais uma escolha de gestão com consequências visíveis nas estruturas que a adotam.
Não se trata de um fenómeno isolado, mas de uma reconfiguração estratégica. A adoção de IA, neste contexto, não é apenas uma atualização tecnológica, mas uma decisão que força as organizações a repensarem as suas funções e a sua força de trabalho. O que se vende como otimização para o cliente externo, reflete-se internamente como uma pressão para a redefinição de equipas, um paradoxo que os decisores não podem ignorar. A questão não é se a IA vai substituir empregos, mas como as empresas que a desenvolvem e implementam estão a gerir a transição nas suas próprias portas.

