Um estudo recente da Spacelift, a empresa por trás da plataforma de orquestração de infraestruturas, revela que 93% das organizações experienciaram incidentes nas suas infraestruturas causados por inteligência artificial. Os resultados, agora divulgados, apontam para um "gap de infraestrutura de IA" crescente, que se manifesta em configurações de segurança incorretas, violações de compliance e incidentes não planeados.
Este cenário tem um impacto operacional e financeiro significativo, exigindo uma atenção urgente à governança da IA. Não se trata apenas de uma questão de segurança técnica; é uma disrupção direta na capacidade das empresas de manterem a sua operação estável e previsível.
O detalhe importante aqui não é a existência de falhas – estas são expectáveis em qualquer tecnologia emergente. É a percentagem esmagadora de empresas já afetadas. Isto sugere que a adoção da IA está a avançar a um ritmo que a capacidade de gestão de infraestruturas não consegue acompanhar. Muitas organizações estão a integrar IA nos seus pipelines de desenvolvimento e operação sem ter os frameworks de governança e os controlos de segurança adequados.
Em Portugal, onde a digitalização e a adoção de novas tecnologias são prioridades para a competitividade, este dado deve servir de alerta. A pressa em integrar soluções de IA pode criar vulnerabilidades que, a médio prazo, comprometem a própria resiliência digital das empresas. Não basta implementar; é preciso governar e orquestrar de forma robusta.
Mais do que um "sim, mas" sobre os riscos, esta é uma oportunidade para as empresas portuguesas liderarem na disciplina de governança da IA. Significa investir em talento especializado, definir políticas claras de uso e integrar ferramentas de orquestração que garantam a estabilidade e a segurança. A vantagem competitiva não virá apenas da rapidez na adoção, mas da capacidade de gerir os seus efeitos colaterais com rigor e visão.

