A Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC) lançou uma análise detalhada sobre a Inteligência Artificial no setor da contabilidade, explorando as suas potencialidades, os desafios e os impactos na profissão.

O documento da OCC sublinha que a discussão sobre a IA na contabilidade vai muito além da mera eficiência operacional. O valor central reside na capacidade de redefinir o papel do contabilista, libertando tempo para funções de consultoria estratégica e para uma análise de dados mais complexa. O desafio não é, portanto, apenas integrar novas ferramentas, mas redesenhar processos e competências para capitalizar estas oportunidades.

Para os decisores e founders em Portugal, esta leitura da OCC é um roadmap implícito. A questão não é se a IA vai chegar à contabilidade, mas como esta transição pode ser gerida para criar novos modelos de negócio e serviços de valor acrescentado. A proatividade na formação e na experimentação de novos frameworks será um diferenciador crítico para quem ambiciona não só sobreviver, mas liderar a próxima fase de inovação no setor.

Mais do que uma discussão sobre ferramentas, estamos perante uma reengenharia profissional. A OCC aponta para uma mudança estrutural, onde o contabilista se move de um executor de tarefas para um arquiteto de valor. A produtividade não se mede apenas em horas poupadas, mas na capacidade de gerar insights que antes eram inacessíveis. A questão que se impõe é: qual a dimensão do investimento que as empresas portuguesas estão dispostas a fazer, não em licenças de software, mas na requalificação ativa do seu talento?