Kevin Warsh, ex-Governador da Reserva Federal norte-americana, defendeu numa conferência em Sintra que a inteligência artificial será uma mudança de paradigma económico. Warsh projetou que os Estados Unidos podem ser os grandes vencedores da corrida tecnológica a médio prazo.
A discussão macroeconómica sobre produtividade, emprego e investimento em IA, que decorreu em território português, toca diretamente a política industrial europeia. A tese de Warsh, proferida num palco tão próximo da decisão política europeia, sublinha uma tensão real: a de que a Europa, e em particular Portugal, não pode ficar à espera que as grandes geografias resolvam as suas estratégias para depois reagir. Há um imperativo de ação e de construção de uma visão própria, que vá além da mera observação.
Se os EUA se posicionam para capitalizar esta vaga, a questão para Portugal e para a Europa não é apenas como acompanhar, mas como moldar o seu próprio caminho. Não se trata de replicar modelos, mas de identificar nichos de especialização, fomentar ecossistemas de inovação e, crucialmente, atrair e reter talento. A competitividade na era da IA não será apenas tecnológica; será também regulatória, de investimento em infraestruturas digitais e de capacidade de adaptação das empresas e da força de trabalho.
O debate em Sintra serve, assim, como um alerta. A conversa sobre a IA já não é uma abstração futurista, mas uma realidade económica com implicações imediatas. A Europa precisa de uma estratégia industrial para a IA que seja audaz, que incentive a inovação interna e que crie as condições para que as empresas europeias possam não só competir, mas também liderar em áreas específicas. O risco de ficar apenas como um mercado de consumo para tecnologias desenvolvidas noutros continentes é real, e evitar esse cenário exige uma proatividade que comece agora.
Qual é, então, o plano para que a discussão em Sintra se traduza em vantagem para Portugal?

