A startup portuguesa Mowly está a criar uma rede de engenheiros jurídicos, numa aposta clara num “modelo diferenciador que combina tecnologia e acompanhamento especializado”, segundo a própria plataforma. O objetivo é reforçar a aplicação do potencial da inteligência artificial dentro dos escritórios de advogados.

Esta iniciativa não é apenas mais uma startup a entrar no mercado da IA. É um movimento que sublinha uma tese importante: para a inteligência artificial realmente gerar valor em setores especializados, como o jurídico, a tecnologia pura não basta. É preciso construir uma ponte humana, uma camada de especialização que traduza as capacidades dos modelos para os requisitos práticos e regulatórios de cada área. A Mowly parece entender que o gargalo da adoção não é a disponibilidade da IA, mas a capacidade de a integrar sem fricção nos workflows existentes.

Em Portugal, onde a digitalização do setor jurídico ainda enfrenta desafios, esta abordagem pode ser um catalisador. Mais do que vender uma ferramenta, a Mowly está a propor um serviço que mitiga o risco da experimentação e acelera a curva de aprendizagem. Isto é particularmente relevante para escritórios que querem inovar, mas carecem de recursos internos para desenvolver ou adaptar soluções de IA. A questão, portanto, não é se a IA vai mudar o direito, mas sim quem vai conseguir, de forma mais eficaz, transformar essa promessa em produtividade tangível. E a resposta pode passar por quem constrói estas pontes de engenharia e especialização.