As Nações Unidas publicaram uma nova análise sobre a adoção global da inteligência artificial, destacando um crescente fosso entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. O relatório aponta para uma concentração desequilibrada de recursos, dados e talento nas economias mais ricas, o que pode exacerbar desigualdades existentes e criar novas formas de dependência tecnológica.
Este não é apenas um alerta sobre equidade. É um mapa para a competitividade futura: se a IA é a próxima infraestrutura crítica, a capacidade de a desenvolver e integrar ativamente nos tecidos económicos e sociais determina quem lidera e quem segue. Para Portugal, a questão não é se devemos adotar, mas como podemos acelerar a nossa própria capacidade de desenvolvimento, e não apenas de consumo passivo. A aposta deve ser em construir uma base sólida de skills e infraestruturas, permitindo-nos ser produtores de valor com IA, e não apenas importadores de soluções alheias. Focar na literacia digital e na formação especializada é o caminho para transformar este risco numa oportunidade de posicionamento estratégico.
Ignorar este fosso é cimentar uma desvantagem estrutural, condenando-nos a uma eterna posição de follower. Estaremos a investir no capital humano e tecnológico para sermos parte da solução ou apenas a assistir à polarização?

