Documentos submetidos no processo judicial Bartz v. Anthropic revelaram a existência do 'Project Panama', um programa confidencial em que a empresa adquiriu e destruiu fisicamente coleções de livros para os digitalizar e utilizar como dados de treino pré-2022. Os memorandos internos mostram que a Anthropic recorreu a nomes de código para ocultar a operação de aquisição de texto.

A opção pela digitalização destrutiva de acervos físicos expõe a corrida das empresas de tecnologia por dados de elevada qualidade antes do bloqueio regulatório e das ações por direitos de autor. Ao converter livros impressos em ficheiros digitais, a Anthropic procurou uma via de treino alternativa ao scraping direto na web.

O problema para a empresa reside na contradição estratégica revelada pelos documentos. A utilização deliberada de nomes de código para esconder a aquisição demonstra que a equipa antecipou o risco legal do processo. Em contencioso de propriedade intelectual, a prova de ocultação prévia enfraquece a tese de boa-fé e de utilização razoável ("fair use").

O desfecho deste caso vai ditar se a posse legítima do suporte físico confere o direito de transformação digital para treino de algoritmos. Para o setor, o efeito é direto: as estratégias evasivas na recolha de dados do passado convertem-se agora no maior passivo jurídico na valorização das empresas de IA.