O Banco Mundial afirma num novo relatório que a inteligência artificial pode permitir aos países em desenvolvimento alcançar um século de progresso em apenas uma década. A instituição descreve a tecnologia como um instrumento decisivo para reduzir a distância de produtividade em relação às economias mais avançadas.

A projeção assenta na lógica do salto tecnológico direto. Tal como a expansão das redes móveis permitiu a várias regiões emergentes ignorar a construção de infraestruturas telefónicas fixas e o acesso bancário físico, a inteligência artificial abre caminho para contornar gargalos históricos no acesso a serviços de saúde, educação e gestão pública.

O elemento central desta estimativa está na assimetria entre desenvolvimento e adoção. As economias emergentes não precisam de investir centenas de milhares de milhões no treino de modelos de raiz; a oportunidade imediata reside na aplicação prática de sistemas existentes para automatizar processos administrativos e otimizar setores onde a escassez de recursos humanos especializados é crítica.

A concretização desta janela de dez anos transfere contudo o desafio para os fundamentos físicos e institucionais. A capacidade de utilizar inteligência artificial pressupõe acesso fiável à energia elétrica, conectividade de dados e quadros técnicos locais capazes de operar e integrar estas soluções. Sem essa base, o diferencial de produtividade continuará a depender da infraestrutura de suporte e não da disponibilidade do código.