Os ganhos de produtividade gerados pela Inteligência Artificial devem estender-se a todos os trabalhadores a nível global. O alerta foi lançado pelo diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT) esta segunda-feira, em Genebra, na abertura da reunião anual da organização.
A posição da OIT aponta para uma tensão central na atual corrida tecnológica. Enquanto o foco da indústria e dos decisores se tem centrado na capacidade de automação e na otimização de processos, a questão da distribuição do valor gerado pela IA emerge como um ponto crítico. Não se trata apenas de criar mais riqueza, mas de definir quem a detém e como essa riqueza se propaga pela economia real. Ignorar esta dimensão social é criar um terreno fértil para a resistência e para políticas reativas, em vez de proativas, que podem atrasar a adoção da tecnologia.
A resposta não está em travar a inovação, mas em desenhar mecanismos que garantam que os trabalhadores são parte ativa desta transformação. Isso pode passar por programas de requalificação financiados, participação nos lucros ou um novo contrato social que redefina o valor do trabalho humano na era da automação. Trata-se de desenhar frameworks de adoção da IA que integrem desde o início a componente de valor humano.
Isto significa investir em formação contínua, em programas de upskilling e reskilling que preparem os profissionais para as novas dinâmicas do mercado de trabalho. Significa também construir políticas que incentivem a colaboração entre humanos e IA, e não a competição. A verdadeira medida de sucesso da IA estará na capacidade de elevar o nível de vida e as oportunidades para um espectro mais alargado da força de trabalho.
Se a IA é uma ferramenta para amplificar a produtividade, a sua adoção deve ser acompanhada por um planeamento que vá além da métrica de eficiência imediata. Pensar na valorização das competências humanas, na requalificação e na criação de novos papéis, em vez de uma mera substituição, é a única forma de garantir um crescimento sustentável e socialmente coeso. A OIT coloca o dedo na ferida: a próxima fase da IA não é sobre o que ela consegue fazer, mas sobre como garantimos que os seus frutos chegam a todos.

