O Governo português reiterou a intenção de submeter uma candidatura conjunta com Espanha ao concurso da Comissão Europeia para acolher uma Gigafábrica de Inteligência Artificial. A iniciativa enquadra-se no plano nacional para a fixação de talento, atração de investimento multinacional e reforço da capacidade computacional em território europeu.
A construção de uma infraestrutura ibérica responde ao requisito de escala exigido por Bruxelas e garante financiamento para hardware de ponta. Contudo, ter supercomputadores localizados na Península Ibérica só altera a competitividade das empresas portuguesas se o acesso à capacidade de cálculo for acompanhado de apoio direto à integração técnica. A autonomia tecnológica não decorre da presença física do hardware, mas da velocidade com que o tecido empresarial transforma esse poder computacional em aplicações comerciais.
A promessa de baixa latência e acesso prioritário para startups e centros de investigação locais cria uma vantagem técnica objetiva. A utilidade efetiva desta infraestrutura será determinada pela arquitetura do modelo de concessão de horas de cálculo e pelos custos de utilização cobrados aos agentes privados durante o desenvolvimento de novos modelos.

